Wednesday, May 27, 2009

O Actor Acende a Boca - Gota de Mel


"Nos dias 29, 30 e 31 de Maio, os alunos finalistas apresentarão naquele teatro o espectáculo "O ACTOR ACENDE A BOCA - GOTA DE MEL - " como exercício final de curso.Este núcleo de actores finalistas do Curso mostram através de coros-mímicos-falados como uma pequena comunidade detona uma guerra fratricida por uma insignificante gota de mel e, simultaneamente, como eixo central do espectáculo, vai surgindo uma apologética actoral como meio de transformação.Este espectáculo, aproxima-se do género de teatro total em textos poéticos e dramáticos de autores como: Eduardo De Fillipo - Gastão Cruz - Herberto Helder - Leon Chancerel - Manuel Alegre e Sérgio Godinho, numa versão de Júlio Cardoso."

Apareçam!!!



Wednesday, June 25, 2008

O que há em mim é sobretudo cansaço




O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.


A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente.


Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço, cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada

-Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser…


E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço.

Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço…


Álvaro de Campos

Friday, May 30, 2008



ás vezes sento-me nas linhas cruzadas em que me entranho,

reviro-me nas suas teias sedentas de tanta novidade, de tanto estranho som equívoco naquelas horas nuas da minha pele.

e em trilhos, resmungando pelo simples saber de existir, me esqueço das palavras secas que me escutaram naquele instante tão só como só eu sei.
linhas cruzadas, que se distorcem na vontade que assim as chamou...



Thursday, May 15, 2008


não quero dormir. nao quero. quero ficar acordada até que as espadas do tempo cortem mais este dia. e depois sim, quando o brilho das folhas produzirem um reflexo limpo no meu espelho, posso embalar-me no berço de cetim, tão suave que quase faz esquecer a sua própria origem. penso tanto que ás vezes esqueço que vivo. ás vezes fico só de olhos abertos para o branco que se opõe ao meu espelho e fico assim horas e horas... e tudo passa lá fora, a música, o vento, a chuva, as pessoas e pelo menos nesses tempos sei que não faço parte de nada. sou eu comigo, não preciso de lutar eternas guerras de sangue, explorar cantos obscuros, ou encontrar um caminho melhor no canto de cada esquina. sabe bem esta não acção. sei que amanhã me vou cansar dela, mas hoje sabe bem.
Já me imaginei em mil cantos desta terra, ou de outra qualquer, já passei por tantos tempos esquecidos, não vividos, mal vividos, bem conseguidos que já nem sei em qual deles estou a viver... talvez em nenhum deles, talvez seja outro qualquer ainda sem a pressa de ter nome.
Não preciso de lençois, hoje reconforto-me com todo amor que tenho á minha volta, sim agora já consigo dizer amor, antes esta palavra era demasiado pesada para mim e nem sei bem porquê, mas era e não a dizia e tinha medo que ma dissessem, coisas sem lógica ou com toda a lógica possivel. gosto destas antíteses com tanto significado.gosto. será porque eu mesma sou uma antítese andante neste vago mundo em que me vejo? talvez... mas não procuro essas respostas apenas olho, sinto e sou e o resto, bem o resto que venha no encalço do que tiver de ser, eu cá continuo a olhar de frente, a enfrentar com este espelho que em mim ganhou a força de sonhar. boa noite.

Sunday, May 11, 2008


Ontem uma explosão de palavras, caiu sobre mim...
não a pude deter, não a pude suportar
entao, arregacei as mangas caídas
e deixei o seu vento soprar...


Abraçado ao vento, jaz simples o nenhum ser em que me encontrei. Faminto pelo caminho cavalgando por entre galhos rasgados pelo tempo...
Busco palha seca que raspe no chão, que arranhe com tanta força que o sangue, o sangue sem cor, expluda numa emoção, numa emoção qualquer...
Guardo em ternos pedaços o que de mim ficou, arrumo os seus cantos e despeço-me do lixo, daquela escumalha imunda em que eu tanto senti...

Riscando as vozes do tempo, a vida caiu a meus pés... E o que sou ou o nada que fui, fecunda a sua eternidade com o sonho de comtemplar as vísceras mesquinhas da palavra, daquela palavra...
Realizo, que a minha doce insanidade, me mantém a pele viva, que tudo o que se mistura neste cais sem abrigo é apenas mais um sopro, só mais uma dança, deste baile desta romaria sem fim...

Wednesday, April 23, 2008

Por el camino...


" Donde la vida va? Quanto te queda? donde tu te vas? Quanto te queda? Se que tu todo va por el camino... se que tu te vas por el camino... "

E foi com esta música dos Kumpania Algazarra que iniciei o Caminho de Santiago a pé... Não há como uma boa coincidência para animar a ansiedade de tudo aquilo que sabia que me esperava...

Não, não vou fazer uma descrição intensiva de tudo que se passou no Caminho... para além de ser impossivel conseguir transmitir por palavras a explosão de sentimentos que me invadiam constantemente,para percerber cada detalhe das esquinas que percorri é preciso já ter pisado o Camino :P... Por isso quando voltei e as pessoas me perguntavam : Entãaaaaoo??? Coooonntaaa tudddooo!!!! eu não sabia bem o que contar... não sabia o que dizer ou o que expressar daquilo tudo que vivi... estava num estado demasiado zen/coiso lol e bem, deixava-me ficar pelo " foi fantástico, foi lindo e aconselho todas as pessoas a fazer" o que é um facto veramente verdadeiro... lol


A consciência que um "eu", um "nós" tem tanto impacto num "outro" que temos um poder imenso no contacto com os outros, que podemos apreender tanta coisa se apenas dermos mais atenção ao que nos rodeia... E que se por momentos rompermos aquela bolha que teimamos em colocar á nossa volta, coisas mágicas acontecem... que se dermos oportunidade aos outros e a nós mesmos de nos libertar de tantos factos sociais e atritos que nos prendem nos sentiremos bem mais completos todos os dias...
Uma luta permanente entre o corpo e a mente, uma luta boa, uma guerra de irmãos, uma descoberta de que se é mais forte do que se pensa, que não haverá muita coisa que não possa fazer se a mente disser SIM! (E isto tudo parecem clichés... bem eu nunca fui muito de clichés, mas ás vezes deixamo-nos levar muito pela estereotipação de que aquilo é assim, akilo é lalalla... muito bem e porque não antes de dizer isso não prestamos atenção ao significado verdadeiro das coisas? )


E aqui vai um pouco das lembraças do Caminho de Santiago:

as pessoas,as palavras sentidas,os olhares falantes,o silêncio bom,o canto do momentos, a dor pimentada com gargalhadas histéricas,os sorrisos inesqueciveis,o Teo,os olhos verdes que brilhavam de um fascínio imenso,as setas certas, as subidas do corpo e da alma,as frases sem sentido,o amor, a alegria, os gestos desconhecidos, as vitórias de cada minuto, os arbustos que escondem lol, a N-550 (ahhhhhh!!!), ás áreiás movediças, o canto contagiante dos pássaros, o voltar atrás, a posição erótica lol, a chuva refrescante, o sol sufocante, os corvos, as árvores dando-nos braços, o ritual das manhãs, os menus fantasticos, os suburbios esgotantes, o estendedal manhoso, a visão nocturna do terror, o arrastar de pés sem tendões disponiveis lol, o contemplar de verdadeiros sonhos, o ritmo compassado, o padre do Car**lho lol, descobrir que o mundo é mesmo muito pequeno, a quechua, os carimbos desejados, os templos intactos, as vistas bucólicas, bosques de contos de fadas, a festa de cada km ultrapassado, as danças descompassadas com 7kg ás costas, os holas de força, o adeus que sabia bem, o chegar jamais esquecido, o sentir sem restrinções, o cheiro inconfundível, o renascer para uma nova vida.

Bem e foi isto e muito muito mais...
( Obrigada a ti que partilhaste isto tudo comigo :))

" quero a faca, quero o queijo, quero aquilo que não passa, quero aquilo que não vejo"


Tuesday, March 18, 2008

Bip...Bip...Checking the system... Pause Requested


Minha gente...
Tendo em conta certos e determinados factores, acho por bem fazer uma pausa na escrita deste blog...
A inspiração não está no seu melhor, o que escrevo no meu livrinho de cabeceira é para ficar lá e por isso não há razão para continuar aqui a escrever coisas sem jeito nenhum...
Mas não chorem baba e ranho meus queridos leitores... lol eu volto daqui a pouco fresca e renovada com a inspiração no auge...
Mas só para acabar esta despedida temporária, fiquem com uma música que ontem quando eu já me preparava para ir para vale de lençóis ,começou na passar no rádio e gostei... Fiquei a pensar como os brasileiros têm uma facilidade extrema em transportar os sentimentos cá para fora de uma forma extremamente simples... ( vá o videoclip está assim pó mauzito mas foi o único que se arranjou... :P)

Até breve!!!